No fim de semana (re)vi, com enorme prazer o filme “Auto da Compadecida”, baseado na obra, com o mesmo nome de Ariano Suassuna. Não gosto especialmente de cinema brasileiro, mas por vezes a qualidade de alguns filmes surpreende (Cidade de Deus, por exemplo). Neste, quase à maneira de Gil Vicente, somos levados a uma visita à sociedade sertaneja do interior e ao mundo de João Grilo (esperto e mentiroso) e do seu amigo Chicó, o mais cobarde dos homens.
É no fundo uma história de sobrevivência, deixando um amargo de boca na natureza do ser humano, mas deixando ainda lugar para a esperança.
Das muitas frases geniais que o filme tem, e dado o contexto actual, não resisto a partilhar três:
[Chicó acerca das muitas histórias que inventava]: Não sei, só sei que foi assim…
[Deus para a mãe] mamãe, se continuar assim (a salvar pessoas) o Inferno vira repartição Pública: existe mas não funciona!
[Chicó para a sua amada]: ‘I love you’, que é morena em francês.
Um pequeno extracto aqui