Hoje foi o meu primeiro dia de escola! É mesmo verdade.
Após uma ausência de quase quatro anos (tanto tempo…) regressei hoje à escola. Perguntei-me muitas vezes como seria ao longo deste mês de férias... Foi tão bom!!! Desde a direcção da escola até aos professores passando por todo o pessoal não docente, todos me receberam com um sorriso que, na maior parte das vezes, pela frescura sentia-se verdadeiro. Faltaram apenas alunos… mas vê-los nas salas de aula, no corredor, sentir o pulsar da escola, foi… muito bom. Agora, há muito trabalho para ser feito!
Talvez este tom de regresso trouxe-me à memória (e não sei porquê…) as lembranças do estudo para uma disciplina na minha licenciatura “Sistemas operativos”, com a leitura do never ending "Operating Systems: Design and Implementation" do Tanenbau.
Os cheiros e os ritmos destes tempos têm sempre o tom da música de Fausto. A associação de sistemas operativos com a música de Fausto é, para mim, tanto incontornável como inexplicável. O tabaco que pairava no ar nas longas maratonas de estudo pela noite dentro, com forks e PIDs remetia para o Coça, coça a barriga, nicotina. Serão as saudades dos tempos de estudante? :)
Gosto muito de uma frase do Umberto Eco: “A tese é como um porco: nada se desperdiça”.
E tem sido assim no âmbito da componente curricular do PhD em Multimédia em educação. Dos trabalhos realizados para as unidades curriculares têm saído alguns contributos que vamos apresentando nas conferências que vão surgindo.
O tempo tem sido pouco para preparar: o formato de poster, paper e short paper implica mudanças, algumas vezes estruturais. O que também é interessante é o feedback dos reviewers. Um olhar externo sobre o trabalho que desenvolvemos faz-nos crescer enquanto investigadores.
Amanhã, em Braga começa a “ronda”, com este poster, que tem por base este artigo, desenvolvido na UC de Desenvolvimento de Produtos Multimédia orientada pelo professor António Moreira. Ainda fizemos este vídeo com a duração de 1 minuto (que pouco mais demorou a fazer). O que vale é a voz da Susana!
O PLE criado para a segurança na Internet está aqui!
Jardins que começam, a pouco e pouco, a dar frutos!
No livro "Handbook of emerging technologies for learning", Simens e Tittenberger, a certa altura referem que o ensino com tecnologia pode ser enquadrado em três categorias: blended learning, online learning e augmenting classrooms. Se as duas primeiras não representaram novidade, já o mesmo não posso dizer relativamente à terceira- augmenting classrooms, pelo menos verbalizada de uma forma tão simples e tão directa.
Trata-se disto mesmo! Principalmente no contexto do ensino não superior, onde a prevalência decorre num contexto presencial, as tecnologias permitem “aumentar” a sala de aula!
Entendo este aumentar não só num espaço e num tempo, mas também numa dimensão de desenvolvimento de competências e num contexto de always learning.
Tentando materializar este conceito na prática lectiva não faltam exemplos, que podem ser indexados à tecnologia usada:
“aumentar”…
> … a reflexão dos alunos
Blogs de alunos, onde façam a reflexão crítica das suas aprendizagens, criem e partilhem os seus conteúdos;
>… o trabalho colaborativo
Wikis que acrescentam a dimensão colaborativa necessária para realizar um trabalho de grupo lançado pelo professor;
> … a partilha de recursos, seja de recursos que os alunos encontram na web seja de conteúdos que produzem.
>…
Não seria interessante que este “aumento” integrasse, de alguma forma, o PLE de cada aluno?
Ou melhor, o desafio não é esse mesmo?
Referência: Siemens, G. and P. Tittenberger (2009). Handbook of emerging technologies for learning, University of Manitoba.
O prof Carlos Santos no FB deu o mote para uma reflexão da dimensão de UX no PhD em Multimédia em educação. Há algum tempo (e precisamente no contexto de uma UC – MAC) interessei-me por este conceito a propósito do desafio de construir uma UC de Cultura Digital.
Algumas dimensões do UX pareceram-me que além de relevantes podiam ser facilmente implementadas. Digo “facilmente” porque pressuponho um estado de “open mind” nos alunos e professores – expectável no clima de investigação.
| O esquema ao lado(retirado aqui) releva a complexidade do processo norteado por uma dicotomia entre a maturidade na consciência das opções e dos riscos que em cada momento devem ser assumidos fora da zona de conforto |
Já em 2005 aqui era colocada uma questão que podia ser datada com o dia de hoje:
“why have so few academic institutions jumped on this opportunity?
Seems to me that UX education is natural for liberal arts programs. By definition, they're multidisciplinary. Many are looking to reach students interested in new media. And applied UX would provide an obvious path to partnerships with and, eventually, funding from the private sector”.
Pessoalmente e remetendo para a experiência das Ucs no PhD de MMEd sempre tentei determinar a minha agenda em termos de interesses – claro que integrados nas Ucs. Tive sempre o privilégio de trabalhar com colegas de grupo e (claro) com professores que o permitiram e em alguns casos o fomentaram, orientando através da abertura não impositiva a outras perspectivas.
Foi um self-designed UX curricula?
Não, de facto não foi – nem no espaço, nem no teor nem no tempo.
Mas foi certamente um quasi group-designed UX! ;)
Gostarei de ver o passo seguinte!
Realizou-se hoje a prova de aferição do 4º ano e milhares de alunos realizaram a prova, entre os quais o meu filho mais novo (André). Quando o fui buscar perguntei-lhe como tinha corrido… e não resisto a reproduzir o diálogo ;)
[Eu] Então André como correu?
[André] Correu bem… era muita interpretação… Olha, sabes quanta vezes aparece Portugal no Bilhete de Identidade? São 486!
[Eu] André, como sabes isso? Não me digas que estiveste a contar?
[André] Eu acabei a prova num instante… não tinha nada que fazer e contei o número de “Portugais” numa linha e depois quantas tinha: deu 486! Provavelmente também tem 486 na parte de trás!
Conclusões???!!!! :)
No fim de semana (re)vi, com enorme prazer o filme “Auto da Compadecida”, baseado na obra, com o mesmo nome de Ariano Suassuna. Não gosto especialmente de cinema brasileiro, mas por vezes a qualidade de alguns filmes surpreende (Cidade de Deus, por exemplo). Neste, quase à maneira de Gil Vicente, somos levados a uma visita à sociedade sertaneja do interior e ao mundo de João Grilo (esperto e mentiroso) e do seu amigo Chicó, o mais cobarde dos homens.
É no fundo uma história de sobrevivência, deixando um amargo de boca na natureza do ser humano, mas deixando ainda lugar para a esperança.
Das muitas frases geniais que o filme tem, e dado o contexto actual, não resisto a partilhar três:
[Chicó acerca das muitas histórias que inventava]: Não sei, só sei que foi assim…
[Deus para a mãe] mamãe, se continuar assim (a salvar pessoas) o Inferno vira repartição Pública: existe mas não funciona!
[Chicó para a sua amada]: ‘I love you’, que é morena em francês.
Um pequeno extracto aqui