Camões é para mim é o poeta maior da Língua Portuguesa. Gosto da forma com que se encontra sempre um extracto dele para todas as ocasiões.
E hoje é um dia especial por dois motivos completamente diferentes.
O primeiro é o aniversário do meu “pimpolho” mais novo: uma década. Ao mesmo tempo que me lembro de tudo o que vivi ao lado dele, também recordo as vezes que estive ausente, muitas vezes ao serviço de uma causa. O idealismo, tão visível num primeiro momento, foi-se diluindo à medida que fui percebendo que na relação dever/haver o equilíbrio era fruto de uma equação de mediatismo. O desencanto foi cavando um fosso cada vez maior entre a praxis e a poesis…
O segundo motivo é porque hoje também é dia de reflexão: o país mudou de líder. Com alguma sorte e dentro do magro espaço de manobra deixado pela Troika, pode-se esperar um quadro reservado de mudança. Certo é, porém, que mudarão os agentes governativos…
Certamente será (in)feliz coincidência, mas hoje, precisamente hoje, e logo hoje, fui “inundada” de pedidos de “amizade” nas redes sociais… Como em tudo na vida, aceitei uns – pelo enorme respeito que tenho pelas pessoas – e recusei outros tantos – por um sentido de oportunidade estranho.
Termino voltando ao início com Camões. Entre os (des)encontros com o Amor Sublime e todas as traições que o poeta viveu, há dias assim:
Que dias há que n'alma me tem posto
um não sei quê, que nasce não sei onde,
vem não sei como, e dói não sei porquê.