Tenho andado a estudar os processos de inovação que em muito têm associados a gestão do conhecimento. Isto interessa-me particularmente uma vez que gosto de pensar que algures dentro do Sapo Campus Escolas vai emergir conhecimento, construído de e na rede de relações que se vão criar. Pode este ser um dos impactos mais interessantes da adoção do Sapo Campus Escolas...
Neste processo estou a ler com muita atenção o que tem vindo a ser feito na área do conhecimento que mais investigação tem feito nesta área. Desengane-se quem pensa que é a educação... Confesso que achei algo estranho: o negócio da educação é, em larga medida o conhecimento…
Há inúmeros estudos, teses e teorias de como se conhece mas, estranhamente, muito poucos em como esse conhecimento pode ser gerido (numa perspetiva coletiva) de forma a aumentar o capital de conhecimento já existente.
É da indústria que vêm os primeiros (e talvez os mais ricos exemplos).
E do Oriente, do Japão, pela mão de Nonaka e Takehuchi.
Parece estranho, mas um segundo olhar mostra que talvez não seja nada estranho. Em primeiro lugar, há a questão cultural, onde o corporativismo é quase biológico - paradigma profundamente diferente do ocidente. O sentimento de verdadeira pertença, alicerçado às vezes ao longo de gerações, cria um grau de compromisso profundo. Por outro lado, a noção de conhecimento é colocada numa perspetiva diferente da ocidental e profundamente baseada na filosofia e na psicologia.
O conhecimento é, segundo Nonaka e Takehuchi, profundamente pessoal e definem-no como “justified true belief”.
O conhecimento é altamente subjetivo e datado na medida em que é pessoal e sempre num contexto enquadrando o conjunto de valores e crenças.
A primeira vez que li esta definição, confundiu-me a aproximação entre “conhecimento” e “crença” e remeti para a filosofia algo Zen dos orientais… Mas depois de lidas umas dezenas largas de páginas sobre esta linha de pensamento, cada vez mais tudo começava a fazer sentido…
E então apareceu o “Ba”, o espaço onde o conhecimento é partilhado e onde emerge novo conhecimento.
Não se trata de um espaço com tempo marcado, nem de um lugar específico, mas antes de tudo isso.
Quando pessoas se juntam com o objetivo de partilharem ideias sobre determinado assunto, fazendo emergir conhecimento novo, estão estiveram no Ba.
O Sapo Campus Escolas, é um espaço onde nada mais se pretende que a interação entre as pessoas num compromisso entre o formal e informal…
Poderá o Sapo Campus Escolas ser o Ba que as escolas tão desesperadamente precisam?