We have high hopes to our schools.
É assim que começa um dos livros mais inspiradores que tenho lido nos últimos tempos: Christensen, C. M., Horn, M. B., & Johnson, C. W. (2010). Disrupting class: How disruptive innovation will change the way the world learns: McGraw-Hill Professional.
Estes investigadores não vieram da educação mas sim do setor empresarial: estão habituados a terrenos mais firmes mas também mais duros, onde muitas vezes o sucesso é tao somente sinónimo de sobrevivência. Pretendem mostrar que as escolas, nomeadamente as americanas estão ultrapassadas e que uma mudança no paradigma se impõe.
As escolas não têm opção: esta mudança é exigida pela sociedade, pelos mercados, e mesmo dentro dos muros da escola: pelos alunos.
E identificam, com uma clarividência brutalmente crua o que falha nessas escolas. A maior parte das conclusões poderiam ser decalcadas como se o estudo fosse feito em Portugal nas nossas escolas...
Parece que os problemas são semelhantes como semelhante é a capacidade que a escola tem para acomodar processos de mudança e inovação na estrutura que tem. Os mesmo autores dizem que, a continuar assim, a inovação vai ser também diluída e portanto sem qualquer impacto que não o de uma boa memória de um projeto que resultou num espaço e num tempo.
Apontam o caminho para a mudança e inovação tendo como catalisador a tecnologia, num processo disruptivo centrado no aluno. A personalização do ensino, indo ao encontro das inteligências dos alunos, num pressuposto gardneriano, é uma parte substancial da solução.
(imagem da equipa do sapo campus escolas)
Começa a fazer cada vez mais sentido a ligação sapo campus escolas / impacto / inovação…
@em_exploração...
Uma das tarefas que têm mesmo que ser feitas e não adianta dar a volta é a validação dos inquéritos que está associada à maior parte dos projetos de investigação em educação. A minha investigação não foge à regra. Se a construção de inquérito por questionários não é fácil e os avanços e retrocessos consomem muito tempo, pensar numa aplicação piloto para fazer a validação ainda é menos, principalmente envolvendo alunos. Pois, é esse mesmo o meu caso: o inquérito envolve alunos do 1º ao 12º anos!
Além das duas versões que foram feitas (tendo em conta os escalões etários dos alunos), o estudo piloto (como ditam os entendidos) tem que ser feito numa amostra semelhante à que constitui o estudo. E aqui (pensei eu) vão começar os problemas… Autorizações, envolvimento de uma direção de uma escola “externa” ao estudo, professores colaborantes (ou não) e dias… dias gastos (mas eventualmente não perdidos) para verificar se as questões são mesmo percetíveis. Claro que para ter esta perceção teria que acompanhar presencialmente o preenchimento dos inquéritos…
Pensei que este processo além de “pouco ” interessante, ira consumir tempo sem retorno. De facto não aconteceu nada disso! A direção da escola que contactei foi absolutamente exemplar (e deixo o meu agradecimento muito especial ao Alexandre) e conseguiu fazer um calendário de aplicação invejável, permitindo-me rentabilizar o tempo.
E hoje foi o dia deste teste piloto.
Foi extraordinariamente interessante e ainda mais útil no acerto de alguns detalhes.
Não resisto, porém a deixar algumas situações muito curiosas que aconteceram, organizadas pelo ano de escolaridade dos alunos a quem este estudo piloto foi aplicado. As perguntas/observações que reproduzo na primeira pessoa, evidenciam algumas fragilidades que de tão claras, eram até aí invisíveis. Outras mostram que, sem ser demasiado “lamechas”, o melhor do mundo são mesmo as crianças!
Conheço mas não uso! Onde coloco a Cruz?
Produzir? O que é isso?
O tempo que passo no computador é muito pouco. Estou de castigo e só vou uma vez por semana. Como é que que eu ponho em horas por dia?
Trabalhar com ferramentas de produtividade? O que é isto?
A única rede social que uso é o email
Eu escrevo textos numa coisa... Não sei o nome mas parece que é o Windows.
Eu vou todos os dias para o computador. Tenho o melhor computador do mundo - os meus pais ficaram com o Magalhães. (…) Eu tenho o melhor computador do mundo e foi Pai Natal que mó deu mas eu nem pedi... Foi a minha avó que escreveu ao Pai Natal para me dar.
Oitavo ano
O que é “Relevante” ?
Sapo campus escolas é igual ao Sapo?
Não uso mas acho importante!!
Quinto ano
O que é um Telemóvel com acesso à internet?
Não te enganaste a escrever uma palavra? “Posts” não existe em português, sabias?
Décimo ano
Não conheço isto (wiki). Não sei o que é…
[Antes estavam a falar de consultas à wikipédia]
Hoje foi o meu primeiro dia de escola! É mesmo verdade.
Após uma ausência de quase quatro anos (tanto tempo…) regressei hoje à escola. Perguntei-me muitas vezes como seria ao longo deste mês de férias... Foi tão bom!!! Desde a direcção da escola até aos professores passando por todo o pessoal não docente, todos me receberam com um sorriso que, na maior parte das vezes, pela frescura sentia-se verdadeiro. Faltaram apenas alunos… mas vê-los nas salas de aula, no corredor, sentir o pulsar da escola, foi… muito bom. Agora, há muito trabalho para ser feito!
Talvez este tom de regresso trouxe-me à memória (e não sei porquê…) as lembranças do estudo para uma disciplina na minha licenciatura “Sistemas operativos”, com a leitura do never ending "Operating Systems: Design and Implementation" do Tanenbau.
Os cheiros e os ritmos destes tempos têm sempre o tom da música de Fausto. A associação de sistemas operativos com a música de Fausto é, para mim, tanto incontornável como inexplicável. O tabaco que pairava no ar nas longas maratonas de estudo pela noite dentro, com forks e PIDs remetia para o Coça, coça a barriga, nicotina. Serão as saudades dos tempos de estudante? :)