Três dias sem posts mas a transcrição segue não ao ritmo que gostaria mas vai...
Para quem tem insónias recomendo vivamente este trabalho. Não faz mal à saúde e é muito eficaz... Não consigo fazer mais de 10 minutos sem abrir a boca de forma muito consistente.
Atendendo a que estou a fazer transcrições de entrevistas que foram feitas há dois anos é curioso fazer a comparação com o "agora". E ver como Sapo Campus escolas evoluiu!
"O que se pretende além das fotos e de tudo isso, se eu quiser rapidamente carregar um documento pdf e o queira disponibilizar para um dos meus grupo eu possa fazer isso. (...)
- (...) o serviço da could PT vai ser integrado no SCE.
- Pois, eu acho que isso é um grande progresso!"
Agora, a verdadeira razão de estar 3 dias sem fazer um post...
Tenho andado a estudar os processos de inovação que em muito têm associados a gestão do conhecimento. Isto interessa-me particularmente uma vez que gosto de pensar que algures dentro do Sapo Campus Escolas vai emergir conhecimento, construído de e na rede de relações que se vão criar. Pode este ser um dos impactos mais interessantes da adoção do Sapo Campus Escolas...
Neste processo estou a ler com muita atenção o que tem vindo a ser feito na área do conhecimento que mais investigação tem feito nesta área. Desengane-se quem pensa que é a educação... Confesso que achei algo estranho: o negócio da educação é, em larga medida o conhecimento…
Há inúmeros estudos, teses e teorias de como se conhece mas, estranhamente, muito poucos em como esse conhecimento pode ser gerido (numa perspetiva coletiva) de forma a aumentar o capital de conhecimento já existente.
É da indústria que vêm os primeiros (e talvez os mais ricos exemplos).
E do Oriente, do Japão, pela mão de Nonaka e Takehuchi.
Parece estranho, mas um segundo olhar mostra que talvez não seja nada estranho. Em primeiro lugar, há a questão cultural, onde o corporativismo é quase biológico - paradigma profundamente diferente do ocidente. O sentimento de verdadeira pertença, alicerçado às vezes ao longo de gerações, cria um grau de compromisso profundo. Por outro lado, a noção de conhecimento é colocada numa perspetiva diferente da ocidental e profundamente baseada na filosofia e na psicologia.
O conhecimento é, segundo Nonaka e Takehuchi, profundamente pessoal e definem-no como “justified true belief”.
O conhecimento é altamente subjetivo e datado na medida em que é pessoal e sempre num contexto enquadrando o conjunto de valores e crenças.
A primeira vez que li esta definição, confundiu-me a aproximação entre “conhecimento” e “crença” e remeti para a filosofia algo Zen dos orientais… Mas depois de lidas umas dezenas largas de páginas sobre esta linha de pensamento, cada vez mais tudo começava a fazer sentido…
E então apareceu o “Ba”, o espaço onde o conhecimento é partilhado e onde emerge novo conhecimento.
Não se trata de um espaço com tempo marcado, nem de um lugar específico, mas antes de tudo isso.
Quando pessoas se juntam com o objetivo de partilharem ideias sobre determinado assunto, fazendo emergir conhecimento novo, estão estiveram no Ba.
O Sapo Campus Escolas, é um espaço onde nada mais se pretende que a interação entre as pessoas num compromisso entre o formal e informal…
Poderá o Sapo Campus Escolas ser o Ba que as escolas tão desesperadamente precisam?
We have high hopes to our schools.
É assim que começa um dos livros mais inspiradores que tenho lido nos últimos tempos: Christensen, C. M., Horn, M. B., & Johnson, C. W. (2010). Disrupting class: How disruptive innovation will change the way the world learns: McGraw-Hill Professional.
Estes investigadores não vieram da educação mas sim do setor empresarial: estão habituados a terrenos mais firmes mas também mais duros, onde muitas vezes o sucesso é tao somente sinónimo de sobrevivência. Pretendem mostrar que as escolas, nomeadamente as americanas estão ultrapassadas e que uma mudança no paradigma se impõe.
As escolas não têm opção: esta mudança é exigida pela sociedade, pelos mercados, e mesmo dentro dos muros da escola: pelos alunos.
E identificam, com uma clarividência brutalmente crua o que falha nessas escolas. A maior parte das conclusões poderiam ser decalcadas como se o estudo fosse feito em Portugal nas nossas escolas...
Parece que os problemas são semelhantes como semelhante é a capacidade que a escola tem para acomodar processos de mudança e inovação na estrutura que tem. Os mesmo autores dizem que, a continuar assim, a inovação vai ser também diluída e portanto sem qualquer impacto que não o de uma boa memória de um projeto que resultou num espaço e num tempo.
Apontam o caminho para a mudança e inovação tendo como catalisador a tecnologia, num processo disruptivo centrado no aluno. A personalização do ensino, indo ao encontro das inteligências dos alunos, num pressuposto gardneriano, é uma parte substancial da solução.
(imagem da equipa do sapo campus escolas)
Começa a fazer cada vez mais sentido a ligação sapo campus escolas / impacto / inovação…
@em_exploração...